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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Solidão não é ruim

É fácil se sentir sozinho no mundo atual. Creio que a natureza do ser humano sempre foi solitária, mesmo quando ele está bem acompanhado. Mas não vejo a solidão como a vêem por aí. Vejo-a como oportunidade de crescimento emocional e psíquico e também como um processo fundamental que pode nos levar a uma mágica evolução espiritual.
A solidão pode ser um sinônimo da liberdade. É no momento de mais profunda solidão que o ser humano se aprofunda mais em si mesmo e conhece melhor suas fraquezas, suas forças e seus desejos. Solidão é virtude, não defeito. É estar muito bem acompanhado por seus próprios pensamentos. É ter espaço para refletir sem interrupções, sem comentários e sem conversas paralelas. Solidão é sentimento, é estado de espírito, é momento passageiro, mas que sempre volta. Solidão é quando o coração pede companhia, mas tudo o que temos é a nós mesmos. Nessas horas nos sobra tempo e nos falta parceria. Os pensamentos voam livres para onde querem e as decisões podem ser tomadas com mais facilidade nos momentos solitários. Solidão faz bem pro espírito. É nos momentos de solidão que nos encontramos exatamente no ponto que nos foi reservado no mundo e no universo, sem ilusões ou crenças inúteis, apenas nós e nós mesmos. Ao solitário todo equívoco é só seu e todo acerto é merecidamente uma conquista de um homem só. Solidão é natural e inevitável. Sempre foi e sempre será assim. No mundo dos solitários é cada um por si e Deus por alguns (mas cada um por si, com certeza) e em muitos casos é como diz aquele ditado popular: Antes só do que mal acompanhado. Imagine, por exemplo, um daqueles momentos em que você daria tudo para ficar sozinho. Muitas vezes isso não é possível, mas isso prova que nós precisamos mesmo da solidão para chegarmos às melhores e mais importantes conclusões das nossas vidas. O problema é quando passamos a ter medo de “ficar sozinhos”. Esse é um tipo de temor que vai aumentando com o passar do tempo e acaba se tornando quase que uma obsessão por conseguir e obter companhia o mais rápido e em maior número possível. Daí surgem as depressões. Por mais que queiramos, nem sempre haverá alguém ao nosso lado. Nascemos no mais profundo estado de solidão ao sermos ”jogados para fora” do útero e, durante nossa passagem pela terra, a vida vai nos forçar a incontáveis momentos de solidão para que não nos esqueçamos do que quer dizer essa palavra. Mesmo assim quase todos esquecem.
Como eu disse, solidão é virtude, não tragédia. Se, ao invés de ficar se lamentado, um solitário (crônico ou passageiro) souber o que fazer da sua solidão para o seu próprio bem e para o seu crescimento pessoal, tenho certeza de que ele poderá ir mais longe sozinho do que “bem” acompanhado. Se ele puder ser seu próprio parceiro, se puder ser o melhor parceiro de si mesmo (e ele poderá, se quiser), se ele conseguir ser fiel ao seu próprio eu, o solitário poderá descobrir a beleza de sua solidão e, principalmente, vai descobrir que solidão não é para poucos, mas para todo ser vivente, seja animal, vegetal ou extraterrestre. A verdade é que nem todo cachorro tem companhia, nem toda flor tem vizinhas e nem todo planeta tem obrigação de vir acompanhado por um sol e/ou por uma lua. Mas eles existem, são o que são e o fazem muito bem com ou sem companhia. O sol me parece mais útil no céu estando sozinho do que vindo acompanhado de um irmão tão quente e grande quanto ele, afinal isso exigiria protetores solares de fatores exorbitantes (claro que nós não resistiríamos a dois sóis, seria muito quente!). Também a lua me parece mais poética em sua solidão, acompanhada apenas de longe pelo brilho das estrelas. Se houvesse mais uma lua brilhando no céu, creio que ambas teriam que dividir seu brilho, dividir os olhares, as poesias, as canções e sempre os admiradores se dividiriam entre uma e outra.
Solidão não é ruim, sentir-se sozinho que é. De nada adianta estar acompanhado por outra pessoa sendo que o seu próprio “eu” não lhe acompanha na mesma sintonia que você precisa. É preciso se encontrar antes de procurar companhia. É necessário aprender a estar sozinho, ficar sozinho e a vivenciar a solidão de maneira sadia e em toda a sua essência. Aprender o sentido da sua solidão é primordial, mas acima de tudo é preciso aprender que não é ruim ficar sozinho. Companhias são indubitavelmente coisas boas na vida de qualquer um, porém, para aqueles que têm conflitos a respeito das companhias que tem, sugiro se encontrar, antes de qualquer coisa. Depois de entender e aceitar a solidão a gente aprende e aceita a si mesmo. Isso já é meio caminho andado para se conquistar (e manter) uma boa companhia.

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