Um reflexo no espelho é uma forma de conhecimento. O que vejo refletido no espelho, à contraluz daquilo que sinto, é o que sou, por trás daquilo que pretendo ser.
Gestos insinuantes de uma alma frustrada e um corpo esguio e cheio de vontades. Desejos de ter de volta um passado que agora se reflete no espelho, um passado ainda presente e portanto dolorido, mas não tanto.
E esse reflexo que agora vejo, será mesmo tudo o que sou? Talvez eu seja mais, assim como fui antes de me ver refletido na indiferença do espelho.
E essa sombra que se coloca entre mim e meu reflexo, ofuscada pela luminescência do sentimento que insisto em deixar se impor sobre mim, não me deixa ver ao certo qual é a minha verdadeira face.
O que se reflete, a imagem que vejo no espelho, esse ser que insiste em me olhar dentro dos olhos, talvez não seja exatamente aquilo que sou. O que sai de mim está sendo capturado pelas cores, as sete cores da luz dos sete erros do universo.
Reconheço-me pelo meu reflexo, mas não me vejo refletido nas mudanças. Coloco-me à contraluz do que sou e do que fiz na vida e o que vejo ainda não me agrada.
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