Música. Realmente uma das melhores conquistas que realizei na vida. Confesso não ser um exímio tocador, mas não me importo com isso. Não desfilo meus sentimentos em solos estridentes de guitarra. Gosto dos mais simples acordes de um violão. A simplicidade é tudo.
Sei que tem gente aí que adora ver os dedos de alguém deslizando vertiginosamente pelos trastos de uma guitarra, arrancando sons estridentes e mutilando braços e pernas de cada uma das notas tocadas. Eu prefiro ir com calma, destilando meus pensamentos complexos no desatino das minhas simples canções. Pensamentos tão complexos quanto o fato de estar cansado de compor e ainda amar a música. Cansei de verdade, mas não consigo parar de tocar, de compor, de escrever sempre sobre as mesmas coisas. Estou cansado de sempre ter a mesma inspiração. Preciso de coisas novas, algo que me inspire a mudar os acordes, algo que me force a aprender novas notas. Preciso de inspiração. Não tenho encontrado bons motivos para escrever sobre felicidade ou finais felizes, ainda não sou feliz e nem estou no fim de nada. Como não fazer músicas tristes se me baseio sempre em frustrações sentimentais e em tristes inspirações? Irônico é pensar que minha alegria possa estar na tristeza que sinto, que a música possa se entristecer tanto quanto os meus pensamentos quando não estou completo. Talvez devesse deixar de compor, deixar de sentir e de pensar. Talvez seja o momento de parar o que estou fazendo. Não. Acredito que seja melhor continuar desfiando lentamente os meus sentimentos tristes por entre os trastos frios desse instrumento tardio que atrevo a chamar de vida.
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