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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Violência

A violência é um assunto já há muito debatido pela sociedade. Apesar disso continuamos presenciando (calados) exemplos de pessoas mal instruídas e, geralmente, mal educadas (se é que entendem a diferença) praticando atos bárbaros e vendo nisso uma naturalidade controversa e inexistente. A questão é que, para quem tem o mínimo de discernimento racional, não é difícil entender que violência, seja de qual for o gênero, não é sequer uma opção a ser considerada.

Não há, até onde eu sei, caso algum em que se tenha resolvido algum problema praticando, em resposta a ele, atos de violência. Tudo bem se dois adultos barbados estiverem tentando se entender aos socos e pontapés, vai de quem decide agir assim, mas praticar ação semelhante com um outro ser, desprovido da mesma força, tamanho e conhecimento de vida (como o são as crianças) já passa a ser exemplo, no mínimo de irracionalidade, o que gera aqui um paradoxo, tendo em vista que, como homens que somos, somos pré conceituados como seres racionais e, alias, como os únicos animais racionais na natureza. Animais nós somos, sem duvida, racionais, aí eu duvido. Onde há racionalidade em se esbofetear uma criança três vezes menor que você? Até o presente momento não tive exemplo nenhum semelhante em qualquer outra espécie animal. Isso me leva a querer refletir sobre de onde tiraram o significado do termo “racional”? Racional provavelmente quer dizer que existe certa lógica (lógica inquestionável para alguns) naquilo que fazemos. Mas não vejo lógica em muitas das nossas ações. A violência, por exemplo, característica típica de defesa em todos os animais, é praticada por nós, seres humanos, quase que como um esporte (e há esportes baseados em violência física, como todos sabem). Sem querer discorrer tanto sobre esse assunto (fica clara a minha indignação e contrariedade em tratar de algo tão irracional), quero falar que não só a violência física me indigna, mas a violência psicológica que, ao meu ver é a pior de todas. Não vejo motivos para que tantas pessoas pratiquem tais tipos de ações contra àqueles que são (desculpem o clichê) o futuro da nossa sociedade. Será que não há mesmo outra saída, outros tipos de atitudes senão as praticadas até então? Será que criar leis de proteção à criança, à mulher, aos animais e tudo mais, ao torto e ao direito, é a melhor solução? Creio que não. O que falta (e há muito está faltando) é investimento e apoio, não só financeiro, mas principalmente estrutural, na educação da sociedade. Uma criança criada em meio à violência tende a se tornar um adulto violento a menos que haja a intervenção correta. Não é regra, mas de forma geral é assim. A violência é uma resposta às necessidades não supridas de um indivíduo em meio a sociedade desigual e hierárquica na qual estamos inseridos. Vivemos a era do “olho pro olho...” e respondemos da forma como somos tratados às ações praticadas contra nós. A violência não é premissa natural e inquestionável. Ao contrário disso, a violência gera indignação inclusive em quem a pratica. Não tenho ciência (principalmente empírica), até então, de alguém que respondeu a algum ato de violência com um ato de amor. Isso seria romantismo demais para os padrões atuais em que vivemos. Não há compaixão se o assunto for desacato aos direitos universais. Creio que não existem muitos por aí dispostos a oferecer a outra face. Essa é a questão, não se educa por meio de atos violentos, mas com isso se ensina aquilo que precisamos erradicar, ou seja, se ensina como ser violento. Se isso não parar teremos muito do que nos arrepender no futuro. Por outro lado, mesmo que eu ainda tenha muito o que dizer sobre isso e mesmo que eu discorresse por mais 1361 páginas não conseguiria sozinho mudar essa “verdade absoluta”.
A esperança que nos resta é acreditar na racionalidade (ainda que duvidosa) do ser humano e esperar que algum dia esse quadro se inverta e possamos então deixar todos os tipos de violência para os outros animais que ainda não são dotados da nossa racionalidade particular e intransferível de seres humanos. Se não for assim, então “Round 2”...“Fight”!

Um comentário:

  1. É é, bem poético e até esperançoso um alerta e tals ,mas em algumas partes discordo,acredito que existem crianças que independente da intervenção "correta" são propensas a não se ressocializar,por escolha própria.No caso de termos muito do que nos arrepender, não acredito que seja culpa da nossa geração a banalização da violência como meio eficaz de se sobrepor,é culpa de um sistema de disputa por status que somos obrigados a enfrentar todos os dias,o que nos sobra é tentar minimizar os danos,provindos desta disputa.
    A razão é subjugada pelos extintos de sobrevivencia,frente a esse extinto,oda a razão deixa de existir.

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