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domingo, 11 de julho de 2010

Aos velhos tempos

Onde estarão os meus amigos? Talvez tenham ficado velhos demais, como eu. Ou talvez seriam os nossos ideais que teriam se perdido numa das curvas que outrora fizemos.
Pode ser que, como eu, eles também tenham traçado metas paralelas ao elo que até então existia entre nós. Elo sensível como os destinos que escolhemos.

Tudo isso me parece como um processo de aborto natural da convivencia. A amizade persiste e resiste à distancia. A distância insiste e completa a solidão.
É engraçado pensar que um dia tenhamos tido os mesmos sonhos, os mesmos caminhos, as mesmas vontades e, quase sempre, as mesmas atitudes. Fizemos tantos planos, sólidos como o orvalho, e lutamos muito pelo que achávamos certo. As coisas mudaram.
Sinto falta das incertezas inocentes daqueles garotos voadores. Noites de sono perdidas, fogueiras ao triste sereno da madrugada, olhares fixos no momento, não no depois.
Ficamos adultos demais e isso não é bom. Que venham de volta as velhas incertezas e intensas reflexões. Passamos demasiado tempo jogando às traças o que era importante. Sentimentos corroídos e perfeita seda de orgulho.
Há de se somar novamente a nata consoante e seus quatro acordes dissonantes.
Sem infecções ou gritos de misericórdia.
Ainda há esperança...
(17/05/2006)

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