Localizar uma postagem

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Capítulo-alismo

Há uma grande insistência das pessoas em acreditar que a sociedade, como um todo, deve seguir as mesmas regras e se submeter à padronização e homogeneização demandadas pelos ideais capitalistas.
Apesar de haver a possibilidade de ascensão, os patrões ainda serão patrões e os operários dificilmente deixarão de ser o proletariado. Programas criados pelo governo surgem como tentativas de tapar as falhas óbvias desse sistema que vem sendo enfiado goela a baixo da população, talvez como forma ilusória ou mesmo otimista de se tentar fecundar algo que seria como um feto mal-formado, fruto de uma sociedade onde os lucros são sempre o objetivo final da gravidez.
Não adianta achar que o sistema funciona razoavelmente. Em se tratando de saúde, no Brasil, sobrevive aquele que tiver mais sorte. Um mesmo medicamento pode ser utilizado como paliativo para várias doenças. Caso comum é você chegar a um posto de saúde, esperar por horas para ser atendido – se for – por um clínico geral (sem querer desmerecer a classe) que simplesmente coloca a mão em você e, em seguida, receita-lhe um antibiótico qualquer. A verdade é que o que não mata, cura. Esse é o pensamento atual. A gravidade de um quadro clínico é explicitada pelo tamanho da fratura exposta, não por aquilo que o paciente diz. O coração dói de muitas formas, mas nada que uma boa dose de dipirona na veia não resolva. Para casos de dores diversas, tais como cefaléia aguda causada por aneurisma não detectado (mas efetivo), basta uma consulta em hospital particular, com médicos estagiários, por intermédio do SUS, para que lhe receitem 300 ml de solução fisiológica e 200 ml de dipirona via intravenosa que tudo estará resolvido, pelo menos até o seu retorno, dentro de dois dias (com um quadro de saúde ainda mais debilitado).
Sim. O sistema funciona. Se você tem plano de saúde, fique tranquilo. Você dificilmente vai ter do que reclamar se, ao fazer o contrato de um plano de saúde, tiver sido sincero quanto ao seu estado clínico, suas intenções, sua expectativa de vida, número de filhos, detalhes genéticos, casos de doença hereditária, nome do cachorro, se é fumante, se é alcoólatra, se já se engasgou com osso de galinha, se pratica natação não supervisionada, se dirige acima de 40 km/h nas rodovias, se anda de bicicleta, se faz sexo sem preservativo, se enfia o dedo no nariz, se coça o ouvido com o lápis, se costuma ficar horas em uma ligação de celular, se utiliza azeite extra-virgem ou óleo de soja nos alimentos que consome, se pensa em se casar, se tem a intenção de morrer, se já assistiu o filme “Tomates Verdes e Fritos”, se chorou ao ver “Titanic”...
A questão é que é mais fácil morrer tentando conseguir um mínimo de dignidade social do que viver aceitando o que nos oferecem atualmente como direito adquirido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário: