A dor que vem de dentro, dentro de mim, de forma quase sutil e cruel, ao mesmo tempo real e inimaginável, sensata e triste, me faz ver agora que nada daquilo que eu quis no passado realmente era o que eu queria ter. Eu tinha tudo. Não mais a tenho. Foste tomada de mim como um dia tomaram também a minha inocência.
Levaram minhas vontades, minhas forças e minha esperança. Mas não levaram minha fé. Ela está aqui comigo, exatamente onde estou agora. Não sei bem onde estou. Sei que perdi meu chão. Meu caminho foi tomado de mim. Mas ainda tenho fé. Não a tenho, mas a tive. Sei que está aqui, ao meu lado. Sei que não mais a verei. Sei que a vejo a todo instante.
Não há explicações para o que sinto agora. Não sei bem o que sinto. Sinto paz e medo. Sinto dor e cura. Sinto muito!
Vejo meus amores desfilando em outros braços. Vejo você desfilando sua valsa celeste. Vejo-me novamente na companhia da solidão. Vejo agora que não vi nada. Olhava para o horizonte errado enquanto você agonizava. Estive presente, mas não acreditava. Achei que você fosse voltar, mas você estava de partida. Não é culpa sua, nem minha. Não há culpa alguma.
Saiba que sinto muito. Não era esse o meu plano. Tinha outros planos e em todos você estava lá. Mudaram meus planos. Mudaram minhas vontades. Mudaram minha vida.
Não vejo graça em piada alguma. Não vejo sorrisos em quaisquer que sejam os lábios. Vejo seus olhos fechados, suas sobrancelhas grossas e seu sorriso colado, seu sono pesado, seu sonho eterno. Vejo meu novo inferno.
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