Numa noite quente, no calor corriqueiro de um verão atípico, eis que ocorreu naquele rapaz um pensamento novo: Talvez (pensou ele) eu não devesse agir de maneira tão agressiva em relação às palavras rudes de algumas pessoas. Porém, ele não sabia ao certo se seria o caso de voltar atrás e se desculpar por sua falta de educação, ou se deveria continuar com sua cena, ignorando aquela consciência insistente. Mesmo assim, ele não chegou à conclusão alguma, mas sabia que havia utilizado palavras pesadas para retrucar as ofensas dirigidas a ele naquela conversa inflamada.
No ato do ocorrido, foram aquelas as palavras mais cabíveis ao assunto. Ele não planejou aquela discussão, somente deu continuidade, delineando o perfil ofensivo daquele assunto incômodo. Incômodo mesmo. Tanto que não saía mais de seus pensamentos. Havia uma diferença grande de idade entre ele e seu ofensor. Aquilo ficava “martelando” em sua cabeça, deixando-o cada vez mais angustiado pela possível falta de respeito dele para com aquele Senhor. Há algum tempo (meses), que aquele mesmo Senhor o vinha atormentando com suas indiretas cortantes e seus comentários vertiginosos. Normalmente, o tom daquelas conversas soava como uma busca por afirmação. Do que eles falavam, afinal, não importa. O importante é que esse rapaz não se sentiu bem, mesmo depois de ter conseguido calar aquele fidalgo. Tudo soava estranho agora. As cores, as formas, os cheiros e os sabores, tudo tinha mudado. Iniciou-se algo novo, mas sem brilho e sem graça. O sentimento ali era o de desprezo, auto-desprezo, por sua arrogância diante de uma eminente impotência em se manter calado diante do descaso alheio.
Talvez aquele senhor realmente merecesse o seu respeito, não por estar certo, pois não estava, mas pelo simples fato de indubitavelmente ter mais tempo de vida, mais bagagem, mais batalhas e cicatrizes de guerra, mais certezas e menos prazer pela vida do que ele. Mas nada disso importava. O que esse rapaz fez foi falar demais com quem falava demais. No final, cada um para um lado, não havia mais assunto algum. Ele de cá, arrependido, e o outro de lá, totalmente convencido de que os jovens de hoje não respeitam mais os mais velhos. (Tem cabimento?) ((risos))
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