Para aqueles
que, de alguma forma, vivenciaram a experiência da morte de um ente querido,
cabe apenas suportar as possíveis dores atribuídas à falta que estas pessoas
certamente farão em suas vidas. O ser humano é por natureza egoísta e o
entendimento da morte passa longe de suas aceitações, já que queremos por
perto, por toda a vida, tudo (e todos) que amamos.
Não há, de
certo, conforto possível ou suficiente para abrandar a angústia de quem
necessita das palavras de alguém que não mais vos fala. Cabe apenas, a este que
quer, ouvir atenciosamente suas próprias memórias sobre aquele que partiu. Não
somos, pelo menos não a maioria de nós, capazes de sensibilidade suficiente
para administrar a morte como parte positiva da vida. Ao contrário disso, a
vemos como um ponto final, um precipício para o qual todos inevitavelmente caminhamos
e do qual ninguém deixará de saltar. Vemos a morte como vemos o vazio, o vácuo.
Em outras palavras, vemos a morte como algo sobre o qual nenhum ser vivente tem
de fato conhecimento, mas que todo ser a si atribui o saber a respeito. O vazio
não tem formas, não tem cheiros, nem cores ou coisa alguma. Também o vazio não
causa dor, nem moléstias, nem angústia ou lágrimas. O vazio é vazio de
atribuições e sentidos. Também o é o vácuo, que nada mais é do que um vazio
profundo. A morte, ao contrário disso, é repleta de sensações e sentimentos por
parte de quem a vivencia. Não se trata de nenhum tipo de vazio ou vácuo, e sim
de uma completude para a vida. Talvez seja a morte o exato ponto onde de fato
começaremos a viver. Não se deve invejar aos que vivem, pois a vida sim é
repleta de vazios, dores, angústias e toda a estirpe dos sentimentos de
incompletude. A morte parece ir além do simples “parar de viver”. Ela
caracteriza a conclusão de uma história e, como qualquer outro tipo de
conclusão, é ali que devemos focar a real importância do aprendido sobre o ato
de viver.
Não, também
não seria plausível ou aconselhável invejar aos que morrem. As diversas
maneiras de morrer são demasiadas cruéis para o homem. Não se deve fugir da
natureza humana e aceitar a morte como se a desejássemos a qualquer tempo. A
morte tem seu tempo. Desejá-la pode, muitas vezes, nos forçar a caminhos que
poderiam adiantar esse processo (suicídio, assassinato, etc.). Ela deve ser,
como dito antes, algo naturalmente vivenciado por cada um de nós, sem medo e
sem antecipação.
Todos morreremos, mas não há quem tenha de
fato a certeza sobre o que é viver e qual é o verdadeiro sentido da morte. A
questão é que, ao contrário de sofrer uma perda, deveríamos louvar o avanço
para uma próxima etapa (seja ela qual for) daqueles que tiveram a sorte de
naturalmente partirem antes de nós.
Gostei muito do texto, apesar de pensar que a morte é o fim. Mas realmente, pra que preocupar. Não devemos pensar na morte e nem viver a vida tão intensamente a ponto de esquecer dos riscos. Muito bom seu ponto de vista, gostei!
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