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sábado, 21 de fevereiro de 2015

TAG

É como se, de repente, o mundo que você conhece não fosse mais para você. Internamente você se perde entre os sentimentos de angústia, solidão, euforia, tristeza, dor, vida e morte, extremos. Você oscila, em segundos, entre todos eles. Você ama e odeia todos à sua volta. Você se sente cada vez mais vazio de si e cheio dos outros. Quanto mais gente ao redor, mais solitário você se sente. 

Aos 29 anos de idade descobri que não vivi a minha própria vida. Entrei numa crise existencial que culminou com alguma coisa chamada de "Transtorno de Ansiedade Generalizada", ou TAG, como dizem. Li muito a respeito do assunto e passei, só então, a descobrir quem de fato eu sou. Sou a descrição daquela doença. Ela me define como jamais alguém me definiu. Infelizmente ela me ama mais do que eu a ela... Tenho tentado me livrar dos pensamentos que ela me traz todos os dias, mas ela é persistente. Tenho extremo pavor de mim mesmo. Nojo. Olho para trás e vejo um passado repleto de atitudes regidas pela orquestra da ansiedade. Guardei muito do que eu era para ser totalmente o que os outros queriam que eu fosse. Agora estou assim, aqui.

Esse "transtorno" ao qual prefiro chamar de crise, te tira completamente o controle de si. Você luta pela vida fisicamente, enquanto sua mente te fuzila furiosamente por dentro. Você arrasta pessoas consigo se não conseguir se controlar. Perdi algumas pessoas... Mas elas estão vivas! Não é fácil para quem está de fora entender o que se passa por dentro de você. Não as culpo. 

Hoje faz um mês em que estou me tratando. Psiquiatras, psicólogos, psicoses... Esta é a minha rotina, regada à doses de clomipramina e clonazepam... A família se comoveu e se reaproximou de mim, à sua maneira, claro. Os amigos até tentam, mas o carinha aqui está antissocial demais para qualquer tipo de evento envolvendo mais do que a mim, o que eu fui, o que eu me tornei e outra pessoa qualquer...

 Ah... como eu queria um drinque qualquer que não fosse de Rivotril...

Família. Trabalho. Relações... Tudo se esvai num piscar de olhos quando se está assim. O controle está na sua mão, mas os botões são confusos demais para acertar. Você se agarra ao que pode. Muitas vezes se apega ao que não deve... Mas nunca tem a sensação de ter acertado. Acho que isso se chama vida...

Aquele aperto no peito, as palpitações, o pânico as 4 da madrugada... Tudo isso faz parte. Tudo isso se repete indefinidamente até que você assuma o controle, acertando os botões. Mas uma hora você acerta. Mesmo assim, não se iluda! Não se trata de uma simples batalha a ser vencida. Isso é uma guerra que provavelmente durará uma vida. Uma vez em crise, sempre alerta!

Enfim. É uma doença degradante. No começo você se rende. No meio você desiste. Mas no final, enquanto houver vida, você renasce como um ser totalmente ciente de si. E os botões ficam mais claros no seu controle.

Saúde!

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