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domingo, 8 de novembro de 2009

Meninos X Meninas

   “Não adianta! Os homens nunca entenderão o que as mulheres pensam!”
   Foi com essa afirmação que desfechou-se o ultimo diálogo que tive (nesse sentido) com uma garota.

   Até parece que a recíproca não existe. Ainda que eu buscasse pouco entender as mulheres, a maior prova de que elas não nos entendem é exatamente o fato de elas nunca se sentirem bem interpretadas. Não importa se o cara é um despreocupado que não superestima os valores da companheira, ou se ele é um romântico e eterno caçador de boas maneiras. Acredito que não me encaixo nem num, nem noutro, mas de nada adianta, meio termo não ganha pontos segundo elas. Acontece que, na verdade, não existe nada para se entender (de extraordinário) no universo feminino. O que nós, homens, não entendemos é, basicamente, culpa da própria natureza feminina. T.P.M.’s, mudanças bruscas de opinião, sentimentalismo aflorado e altos teores de sensibilidade são exemplos primários de onde os homens se atrapalham ao lidar com as mulheres. Não adianta planejar o que fazer nessas horas porque sempre vamos ser mal interpretados por elas. Hora nos adiantamos demais nos elogios (o que elas odeiam), hora nos esquecemos ou simplesmente não elogiamos (o que elas não admitem). Mas, por outro lado, não podemos nos arriscar tanto nos expondo desarmados diante do inimigo, por isso deixamos (às vezes) de nos dispor à agradá-las. Se compramos uma caixa de chocolate meio amargo e um buquê de rosas vermelhas elas nos agradecem com beijos e juras de amor, mas, dias depois, ouvimos daquelas boquinhas apaixonadas um inesperado (e previsível) comentário: “ Nooosssaa! Amor, uma caixa de chocolate branco por 3,58! É o que eu mais gosto!”

   Tudo bem, não podemos ser irônicos nessa hora. Deixamos passar como se elas realmente tivessem ficado satisfeitas com o chocolate meio amargo que compramos com as economias suadas do troco das escassas cervejas que (raramente) tomamos. Horas depois, você passeia com ela por uma praça florida e bem cuidada quando, do nada, ela avista um pé de rosas amarelas. Pronto, segue mais um comentário típico de quem “sabe o que quer”: “Olha amor, rosas amarelas! Sempre quis ganhar rosas amarelas!”

   Não adianta acabar com suas economias pensando que elas vão se sentir satisfeitas, muito menos tentar entender o que elas pensam. Não é uma questão de capacidade, mas de velocidade. Elas são variáveis demais para que possamos acompanhar. Quando finalmente captamos a ultima mensagem deixada por elas, elas já estão caminhando para o desfecho do capítulo. Agora querem dizer que não entendemos nada de mulheres (ou sobre elas), que somos seres “assentimentados”, não dotados de compreensão ou paciência, machistas desde o nascimento, que é a nossa natureza e ponto! Oras, existe feminismo maior?

   Somos exatamente iguais a elas. Não é que não as entendamos (ou vice versa), o negócio é que os dois lados fazem pouquíssima questão de se fazer entendidos. No fundo é exatamente esse o tempero das relações mais bem sucedidas do planeta.

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