O que prende uma pessoa a outra? O que faz com que duas pessoas, diferentes entre si, mas iguais naquilo que desejam, permaneçam juntas por curto ou longo tempo?
Tenho prestado atenção em alguns casais e visto o quão é complexo o entendimento desses porquês. Consequentemente tenho buscado em minhas relações alguma explicação para essa situação. Sei que muitas são as razões que juntam duas pessoas e as colocam uma dentro da vida da outra. Porém, o que cabe aqui não são os motivos que as juntam, mas o que as mantêm unidas.
Ao observar alguns casais amigos (e mesmo muitos desconhecidos) notei que existe uma excitação, um otimismo e uma grande perseverança no que refere aos seus parceiros. Notei que, independente do tempo que estão juntos, a maioria dos casais insiste em relevar, ignorar ou omitir possíveis conflitos de interesse em nome de uma relação estável. Muitos passam a ter dupla personalidade, ou seja, diante do parceiro agem de uma maneira, longe dele assumem novamente o papel de solteiros e até arriscam flertes com outras pessoas. Sendo assim, a tendência do ser humano passa, a meu ver, à bilateralidade, ora agindo em função do que se tem, ora agindo em função daquilo que ainda não se conquistou.
Dizem por aí que se você está com a pessoa amada, nada mais é tão importante ao ponto de poder superar sua fidelidade a ela ou ao que sente por ela. Hoje não tenho tanta certeza disso. Vejo pessoas dizendo “eu te amo” ao torto e ao direito, se mostrando invariáveis naquilo que sentem por seus parceiros e tentando garantir outro dia, um dia a mais, com aquela pessoa, evitando assim a busca solitária por outra companhia (que é o que os solteiros fazem), mas que, ao estarem longe dos seus respectivos parceiros, agem como se não houvesse ninguém em suas vidas para ocupar o posto de companheiros(as) ideais. Essa bilateralidade gera um processo de garantia. Agindo assim garante-se o que se tem, o que se vai conquistar e, ao mesmo tempo, aquilo que já foi conquistado e posteriormente perdido. Isso porque, agindo dessa forma desprendida, os horizontes são ampliados e se fazem possíveis as investiduras em todos os tempos, ou seja, no passado, no presente e no futuro das nossas vidas amorosas. Não vou dizer aqui que concordo com isso, mas que esse processo é mais natural do que se pode imaginar, isso é.
Pensando nisso, cheguei à conclusão de que as respostas às perguntas que fiz no início desse texto são exatamente essas:
1º O que prende uma pessoa a outra é a vontade, não a vontade de ficarem juntas, mas a vontade de não ficarem sozinhas.
2º O que faz com que essas duas pessoas permaneçam unidas é (e isso é irônico) a liberdade que se pode sentir ou buscar sentir dentro de uma prisão chamada de relacionamento.
É claro que não quero dar por findado esse assunto, pois não creio que estou totalmente certo do que falei acima e nem quero fechar essa reflexão como “dono da razão”. Acredito haver exceções para casos específicos e que nem todo mundo age da forma mencionada acima. O que vejo lá fora e digo aqui é aquilo que tenho vivido e convivido com mais frequência nos últimos dias.
Continue buscando!
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu comentário: