Hoje cedo acordei pensando em todas as vezes que abri mão daquilo que eu queria por algum motivo idiota. Muitas vezes o motivo nem é tão bom ao ponto de ser justificativa para a minha desistência. A questão é que são motivos e isso me basta.
Ontem, antes de chegar em casa, comecei a pensar em muitas coisas. Comecei a lembrar de todas as vezes que me apaixonei e lembrei que, mesmo tendo certeza que valeria a pena lutar por aquelas paixões, não lutei para continuar com nenhuma delas. Nessa hora, ainda a caminho de casa, enquanto pensava nessas coisas, escrevi uma mensagem e enviei para uma garota. Nessa mensagem eu dizia: “Está tudo errado! Não posso continuar com isso. Você tem sua vida. Adoro você, mas não dá mais”. Eu realmente gosto dessa garota, mas não tanto como antes de uma atitude injustificada dela. Certas atitudes me fazem, pouco a pouco, desistir de lutar. Não vem ao caso a história inteira, mas quando essa garota fechou a porta naquela noite, enquanto eu ficava ali, do lado de fora do seu apartamento, percebi que terminava ali mais uma batalha que eu havia iniciado. Como das outras vezes, apesar dos pedidos de compreensão, apesar do discurso (tudo feito por ela) sobre a culpa ser dela, não minha, desisti de acreditar sem pestanejar. Confesso que não fiz planos, não comprei chocolates e nem flores, afinal ela não era a minha garota, era de outro qualquer. Não falo de amor aqui, falo de uma situação que poderia ter dado origem nesse sentimento, mas que gerou, ao invés, outra decepção. Tudo o que eu sentia fora em resposta aos sentimentos dela por mim. Acho injusto que, no dia em que resolvo retribuir, eu seja forçado a ficar do lado de fora de sua vida. Ainda vejo nela a imagem de alguém especial, diferente, mas não acredito que seja ela a pessoa merecedora da minha compreensão (não mais). Fui compreensivo por longos meses, agora não dá mais. É isso que sempre faço. Creio que não é tão ruim ter chegado a essa conclusão agora.
Por conseguinte me vieram outros pensamentos. Meu passado inteiro passou por mim em alguns minutos e então concluí: Não tenho alguém. Ainda não conquistei alguém para a vida toda. Por todas as vezes que me envolvi com pessoas especiais e desejei a eternidade ao lado delas, não vejo sentido quando olho pro lado, ao ver o vazio que deixaram comigo. Não há (como houve) alguém que corresponda aos meus sentimentos com a presença que tanto necessito. Não vejo vontade, vejo egoísmo. Não vejo paixão, vejo diversão. Isso é ridículo!
Tenho desfilado por aí, me escondendo atrás de um mantra que diz que sou mesmo impulsivo e justificando minha solidão com a afirmação de que não preciso estar acompanhado, que estou bem assim. Tenho desistido de amar para dar direitos de amar àquelas que amei. Acontece que o que vejo por aí são pessoas fúteis que não sabem conquistar e esperam ser conquistadas. Fazem exatamente o que eu quero fazer em resposta ao que deixo de dizer. “Eu te amo” virou reposta exclusiva dada a quem disser essa sentença primeiro. Não vou me rebaixar ao ponto de dizer que amo alguém nesse contexto de futilidades e superficialidades. O que quero, na verdade, é acreditar que as palavras que estou jogando ao vento nesse momento possam encontrar os ouvidos de alguma ave disposta a ficar o inverno todo por aqui, comigo. Ainda não consegui motivos para querer o verão mais que ao inverno no qual tenho vivido há algum tempo. Meus pensamentos me dizem que a pessoa certa está em algum lugar por onde não devo ter passado ainda e, ao mesmo tempo, me dizem que já a conheci e a perdi por várias vezes na minha vida. Espero que, ao ver essa pessoa (seja quem ela for), ela não feche a porta na minha cara e eu não perca tempo do lado de fora da sua vida mais uma vez. E o inverno continua...
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