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sexta-feira, 11 de junho de 2010

O garoto e o pato

Essa é a história de um garotinho de quatro anos que morava numa pequena cidade em algum lugar por aí.
Existia um garotinho, um menino tímido que adorava fazer amigos e que era muito curioso.
Esse garotinho era muito pequeno, franzino, mas todos diziam que ele era muito bonitinho e inteligente. Ele estudava na escola primária do seu bairro, estava cursando o pré e ainda não sabia o significado da expressão “tomar bomba”. Tudo era muito bonito para esse garotinho. Gostava de olhar para o céu durante o dia, para ver as nuvens formando os mais variados objetos e coisas e à noite olhava um pouco mais para contar as estrelas e fazer pedidos. O mundo era muito grande para ele. Não era um garoto triste, mas tinha muitos desejos ainda distantes de se tornarem realidade. Todos os dias ele acordava bem cedo, se arrumava e tomava café para ir à aula. Ele tinha um companheiro, um cachorrinho de estimação chamado Sansão. Os dois nunca se separavam. Sansão ia com ele todos os dias para a escola. O garotinho tinha vários coleguinhas na escola. Sansão sabia mais da vida que o garotinho. Às vezes Sansão rosnava para alguns coleguinhas do garotinho e o garotinho tinha que ficar bravo com ele para que ele parasse de fazer isso. Todos os dias o garotinho tinha que colocar o Sansão para fora da sala porque ele sempre entrava e ficava embaixo da carteira do garotinho e a professora não gostava disso. Um dia, o garotinho saiu para o recreio e foi conversar com uns coleguinhas que estavam no pátio da escola. Todos estavam rindo muito e o garotinho quis saber do que eles estavam rindo. Ele perguntou e eles disseram: Garotinho, nós vamos pegar o pato depois da aula. O garotinho não entendeu e pesou: Coitado do pato. Então, os coleguinhas do garotinho disseram: Nós achamos que você é a pessoa ideal para ir com a gente pegar o pato, você quer ir com a gente? O garotinho não sabia o que dizer. Ele tinha muitos coleguinhas, mas amigos de verdade ele não tinha. Ele pensou um pouco e chegou à conclusão de que era a oportunidade ideal para fazer amigos. Ficou muito empolgado e disse: Eu quero pegar o pato com vocês! Todos riram muito do garotinho e falaram: Então, depois da aula, você nos espera do lado de fora da escola. O garotinho voltou para a sala muito feliz. Sansão estava de novo embaixo da carteira. O garotinho o colocou pra fora e o fez ir pra casa. No final da aula o garotinho foi se encontrar com os coleguinhas que agora seriam seus amigos, pois iriam pegar o pato juntos. Chegando lá o garotinho perguntou: E aí, onde está o pato? Um dos coleguinhas disse: Garotinho, vai na frente, pois você é o mais corajoso. O garotinho estufou o peito e tomou a frente do grupo. Quando deu alguns passos, olhou para trás e perguntou: Cadê o pato? Seus coleguinhas se abaixaram e cada um pegou uma pedrinha. O garotinho se abaixou e tentou pegar uma pedrinha também. Antes que ele pudesse se levantar todos gritaram: Vamos pegar o pato! Então, começaram a atirar pedras no garotinho, que saiu correndo sem entender o porquê daquilo tudo.
Chegando em casa, chorando muito por ter sido tão inocente, o garotinho sentou-se com seu cachorro e começou a se perguntar: Por que eu sou o pato? Por que eles atiram pedras em mim, se não fiz nada de mal a eles? O garotinho não entendia nada da vida. Daquele dia em diante ele resolveu que não iria mais acreditar nas pessoas só porque ele precisa de companhia. Descobriu que muitas vezes o melhor amigo é aquele que a gente põe para fora e manda embora só porque outras pessoas não os querem ali, que acabamos fazendo as escolhas erradas, nos fazendo mal logo depois de ter sido tomada essa decisão.
Muitos anos se passaram e o garotinho cresceu. Mesmo tendo crescido, aquele dia ficou na memória daquele garotinho. Ele, hoje, sabe um pouco mais da vida e não tem raiva daqueles coleguinhas. Ele sente muita falta do Sansão, que morreu anos depois daquilo enquanto o garotinho estava viajando (não tendo podido nem se despedir).
Hoje o garotinho sabe que os amigos verdadeiros não atiram pedras (muitas vezes nem têm mãos, mas patas) e sabe que o céu continua tendo nuvens durante o dia e estrelas durante a noite. Aquele garotinho aprendeu que pedras não machucam tanto quanto palavras, que um mesmo nome pode significar mais de uma coisa, que pato pode ser gente, que amizade pode ser ódio ou amor, que solidão pode ser companhia e que escrever muitas vezes é o melhor remédio para a tristeza.
Os coleguinhas do garotinho também cresceram, mas não mudaram tanto quanto ele. Algumas vezes o garotinho se encontrou com um ou outro deles. Eles continuam os mesmos, mas não reconhecem o garotinho como sendo o pato daquele dia.
O garotinho, agora, resolveu contar essa história por achar que ela serviu de exemplo para sua vida, então pode servir para mais alguém que não queira ser o pato nem o caçador.

Com os cumprimentos do Garotinho que era o Pato.

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